Desde que a Ana Carolina nasceu penso em como fazer com que ela se desenvolva como uma cidadã do mundo. Sempre imaginei as viagens fantásticas que faria com ela e como que ela aprenderia o traquejo de viagens acumulando horas de janela de avião.
Depois que ela começou a frequentar a escola, achei fundamental que ela tivesse uma experiência de estudar fora. Por que esperar até a adolescência se é até os 7 anos que a criança tem mais facilidade em se adaptar a novas línguas.
Considerei que nos Estados Unidos haveria dificuldades. Já no Canada, as coisas parecem mais baratas e mais fáceis.
Existe a possibilidade de pagar pela escola (tuition fee), mas pesquisei e descobri que a escola pública era gratuita para residentes permanentes. O programa FSW é uma forma de obter este visto, concedido para profissionais de uma das áreas demandadas, entre elas engenharia.
No programa os candidatos são pontuados pela experiência profissional, acadêmica, domínio do inglês e uma parte do ponto era a idade, que começava a perder pontos a partir dos 36 anos. Como estou beirando os 35 achei que era hora de agir.
Me inscrevi no exame Ielts para obter a evidência da habilidade em inglês e as provas foram marcadas para dia 19/2 (exame oral) e 20/2 (leitura, escrita e auditiva). Havia uma pressão que eu deveria tirar no mínimo nota 6 em cada uma das quatro habilidades para poder passar. Procurei a professora da Alessandra, teacher Cibele, que concordou em me ajudar até a prova, fazendo 4 aulas avulsas. Com as aulas ganhei confiança na conversação e treinei como estender o assunto para não dar respostas muito curtas, como por exemplo:
-- Do you have ability for hand crafts?
-- No
-- Do you think all the animals can live in the cities?
-- Only cats and dogs
-- What is the most exotic animal you have ever seen?
-- Panda, panda bear.
Ou então assim https://www.youtube.com/watch?v=48yr93hwvCk
O plano de estudo foi assim...
O dia 19 de fevereiro era uma sexta feira. Trabalhei de manhã, almocei no serviço e fomos para SP. Estava muito calor, pegamos trânsito e ainda precisava deixar a Alessandra e AC na casa de minha mãe antes de ir para o exame no hotel .... Cheguei com a camisa suada no lugar do cinto de segurança e tive que trocar de camisa no banheiro do hotel.
O exame foi muito bom. A senhorinha que aplicou o exame era muito simpática e sempre sorria com as respostas que eu dava. Até usei o "animals are used to living in the forests", que a professora aconselhou eu não usar pois eu estava cometendo o erro de esquecer o "ing". Na volta para casa choveu muito, mas eu estava tranquilo por já ter ido bem na prova.
O dia seguinte começou cedo, com a grande inundação da cozinha e área de serviço da minha mãe. O aquecedor por algum motivo estragou e derramou água durante a noite inteira. Tive que passar algum tempo com rodo e panos para secar.
A prova era à tarde na FAAP, mas resolvi ir para lá assim que pudesse, para não me perder. Cheguei tão cedo que deu tempo de visitar o Museu do Futebol no estádio do Pacaembu. Almocei pão de queijo e fiz os exames.
Depois de 20 dias úteis as notas saíram.
Significa que no exame de leitura tirei fundo de escala, fui bem no exame oral e auditivo, mas por algum motivo a nota da escrita não foi tão boa como eu esperava.
O próximo passo era comprovar a escolaridade, que eu imaginava ser apenas mandar uma cópia do diploma, mas não era. Era necessário que a escola mandasse o histórico escolar para uma instituição de análise de diplomas para definir a equivalência com a escolaridade canadense. Pelo fato do histórico estar em português, ainda era necessário eu pagar uma tradução certificada, que estava saindo na casa de CAD 200, numa tradutora indicada.
Busquei como forma alternativa pagar um freelancer português no 5er para fazer a tradução. Ele se chamava David Veríssimo e me cobrou USD 10 que eu paguei com o saldo que já tinha no site. Prometi pagar mais $5 de presente pelo esforço dele, e daí o 5er me deu exatos 5$ de bônus pela minha compra de $10. Ou seja, não tirei dinheiro do bolso para a tradução. Deu um pouco de trabalho pois tive que conferir a tradução dele, que tinha alguns erros de digitação, e tive que escrever uma declaração para ele assinar, baseada em um modelo que eu encontrei na net.
O histórico que o Ita mandou demorou bastante para chegar, mas assim que chegou saiu imediatamente a validação do meu diploma de mestrado. Imediatamente abri o processo no site da imigração e no banco de jobs.
(estado atual)

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