Voltei para o Brasil e perdi a festa de halloween com os funcionários da americanos. Parece ter sido à altura.
Na volta ao trabalho, o time havia se mudado para a fazendinha. A mudança para o ritmo de trabalho no DT me deprimiria. Foi então que me convidaram para voltar por mais um mês a Grand Rapids. Fiquei muito feliz por ter a oportunidade de terminar aquilo que estávamos trabalhando tão intensamente.
Chegando à empresa me deparei com a sala de reunião onde trabalhávamos cheia, só com brasileiros. Passei cumprimentando todos. De novos havia Daniela, Matheus, Sidney, Althoff e Andriolli. Havia cabos de rede improvisados por cima da mesa de reunião e uma arvorezinha de natal antecipando o desfecho.
A esta altura o trabalho já estava muito pesado. Não havia mais fins de semana. Os últimos a chegarem trabalharam durante 1 mês sem descanso. Todo dia a lojinha fechava tarde. O almoço era em restaurantes rápidos como o Grinders e o Panera.
Em algumas oportunidades ainda pudemos sair à noite, como quando fomos assistir à estréia do Batman 3D no Imax com ingressos presenteados pelo simpático japonês Ibarra.
Começou a esfriar. No primeiro dia de neve todos os brasileiros correram para o estacionamento da empresa para brincar de guerra de neve e fazer boneco de neve. Foi muito divertido, inclusive para os americanos que assistiram a tudo pela janela.
A black friday aconteceu quando estávamos lá. Às 10 da noite do dia anterior já havia gente fazendo fila em barracas. Muita gente acordou muito cedo para aproveitar as promoções, mas eu preferi dormir direito. Na hora do almoço passei numa loja para comprar um roteador sem fio. As funcionárias vibravam vibravam com as promoções. A senhorinha Rachaella, que tinha que colar o rosto no monitor para conseguir ler, ficava dando várias dicas para a gente.
O Sidney teve a felicidade de alugar um Mustang na troca de carro. O carro que todo mundo queria dirigir. Houve um dia em que eu teria que chegar mais cedo à empresa para adiantar e deixar pronta uma baseline do DOORS antes que o pessoal chegasse no trabalho. Tive então a desculpa para sair mais cedo no dia anterior para poder descansar, e fui com o carro do Sidney. Mas na verdade fui dar umas voltas de Mustang pela interestadual 96.
Também tivemos a oportunidade de passar momentos inter-culturais incríveis com os indianos. Havia uma dezena deles em uma outra sala, cuidando dos testes de alto nível, mas tivemos mais contato com o Vaibhav (apelidado ora-bolas), o vegetariano Amol e a Pritti. Vaibhav inclusive me pegou em uma situação desonrosa em que o Samir tinha mexido no meu fundo de tela e eu não conseguia voltar ao original. Outros indianos que sempre ouvíamos falar, mas que nunca conhecemos: Koteswara, Arvind, Sreetha, Vikash, Ammiraju. Em uma confraternização os indianos comeram pizza com carne e só descobriram depois.
À noite, quando a qualidade liberou o run-for-score, tivemos que rodar novamente todos os testes que havíamos executado no dry-run. Foi aí que foi inventada a máquina do tempo, em que os resultados antigos ganharam datas novas na calada da noite.
Já era dezembro. O contrato do carro venceu antes do final de nossa estadia e tive que trocar o carro. Desta vez peguei um furgão de 10 lugares, que inaugurei levando o pessoal para passear no shopping Riverside. Ficamos poucos dias com o furgão. Infelizmente não tiramos nenhuma foto para recordar dele.
A missão chegava ao fim. Terminamos o trabalho e o Flamino fã do DOORS colocou para tocar This is the end. Nos despedimos de todos e fomos embora. Pela penúltima vez.
Antes disto havíamos discutido extensamente para escolher o que fazer no último fim de semana. Teve o pessoal que decidiu ir ver um jogo de hockey não sei aonde, e eu e a Daniela quisemos ir de carro para NY, por sugestão do Vini. Levaríamos o Gustavinho por uma parte do caminho, onde ele ficaria com a sua família americana (de um intercâmbio que ele fez no passado) e parecia ter planos de ficar com a sua irmã americana. O Samir ficou até a última hora indeciso de onde iria, mas no final resolveu ficar, evitando mais gafes. Fomos fazer compras para a viagem no Meijer, onde a Daniela se mostrava extremamente apreensiva e indecisa se deveria fazer mesmo aquela viagem de 1200 km em um país distante, e debaixo de neve. Eu a tranquilizei dizendo ter certeza de que tudo estava sob controle e que a viagem era absolutamente normal. Ela se deixou enganar.
Era quase meia noite, quando o telefone tocou e era o Vini. Ligando da empresa. Eles tinham descoberto alguns PRs que precisavam de verificação para fechar. Foi então que tive que levantar e ir para lá, onde o Vini estava me esperando para abrir a porta de trás. O trabalho que faltava era maior do que a quantidade de pessoas que estavam presentes. Então o Vini foi chamar o grupo do Samir, Cerávolo e Gustavinho, que voltavam do The BOB. Eu abri a porta para eles entrarem. A esta altura não precisava mais de crachá, não precisava mais de escolta.
Acabei minha parte umas 3 da manhã e fui dormir, porque eu tinha que levantar às 4h para trocar o carro na locadora (pois o furgão não seria uma opção econômica para uma viagem longa) para depois buscar a Daniela no horário combinado: 5h. O Dodge Magnum alugado era um carro de estilo clássico, e derrapou durante alguns segundos no estacionamento do Hilton, recuperando a tração antes que se chocasse com os carros estacionados. Daniela entrou no carro, fomos buscar o Gustavinho na empresa e partimos em viagem.
Iamos revezando a direção, enquanto o outro dormia. O trajeto, que seria demorado, acabou demorando um pouco mais, porque erramos a estrada e só percebemos em uma parada para um lanche. Já era umas 22h quando chegamos a NY, mas de maneira nenhuma conseguíamos chegar no hotel Super 8 que tinhamos visto com um bom preço. Eram muitas highways, a apesar de avistarmos o hotel não conseguíamos atravessar até ele. Andamos de carro por horas, por todos os bairros fora da ilha de Manhattan, tentando achar onde ficar. Decidimos que iamos começar a voltar e encontrar algum lugar minimamente decente na estrada, quando vimos um Ramada com preço bom. No dia seguinte descobrimos que estávamos a poucas quadras da estação Brick Church em East Orange, que levava direto a NYC. A sorte tinha mudado nas nossas férias frustradas.
Em 2 dias visitamos muitas lojas de brinquedo, cafeterias e andamos no Central Park. Fomos de metrô para Wall Street para tirar foto com o touro. Passamos um pouco de frio e no retorno batemos o record de temperatura fria: 16F.
Na volta a Grand Rapids ficamos sabendo que o avião havia recebido o Type Certification. Fim da viagem, missão cumprida.
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
Grand Rapids 2008 - parte 2
A rotina era sempre parecida. trabalhávamos, almoçávamos fora e depois trabalhávamos mais. A noite íamos em alguma loja e jantávamos. Os almoços eram variados, mas um lugar que eu gostava bastante era o Mongolian grill. A gente colocava a comida crua em uma cumbuca e levava para o cozinheiro preparar em uma chapa grande redonda e compartilhada. Era comum a comida de outros se misturar com a nossa antes de vir para o prato.
Para manter a boa forma fazíamos corrida no gigantesco quarteirão do hotel, que englobava um condomínio de casas.
Nos primeiros fins de semana fomos para cidades de praia no lago, como Grand Haven e Muskegon. Fazia calor mas ventava, e até um dia entramos na água sem sal do lago Michigan. Havia atrações nestes locais como exposição de carros.
Descobrimos uma boate onde dava para jantar num restaurante chic e depois ir para a pista dançar as músicas da moda (Cupid shuffle). Era o The BOB (big old building). Era lá que as bachelorettes faziam suas despedidas de solteira. Os costumes americanos são diferentes, é o que eu posso dizer. Uma pessoa do grupo tinha horário fixo marcado com a noiva para conversar todos os dias (o ack das 10:00), e tinha que voltar ao hotel para telefonar, para depois nos reencontrar no the BOB.
Em um fim de semana fomos de carro para Chicago. Apertados para ir ao banheiro, paramos no primeiro bairro na periferia de Chicago, e segundo o Flamino entramos em um Black Donalds. Em Chicago subimos na Sears Tower, experimentamos a stuffed pizza e andamos na orla do lago, desde o Millenium Park até o Navy Pier. Também viajamos para o museu Ford e para Detroit em outros fins de semana.
Ao fim de um mês o Marquinho, que era recém casado, teve que voltar ao Brasil e o trabalho não dava sinais de estar chegando ao fim.
Se não me engano vieram então o Henrique Mohallem e o Matsumoto, pessoas diametralmente opostas. Mas uma coisa tiveram em comum: os dois se quebraram muito na viagem. Começamos a tomar mais café. Monster Mocha em latinha. Flamino começou a tomar energético nos intervalos do café. Em uma oportunidade compramos café com aroma de crème brulée, que ficou impregnado na sala por dias.
Nossos horários costumeiramente passavam das 12h de trabalho. Anotávamos tudo em uma planilha para solicitar as horas extras. Era normal sairmos só na hora do jantar (fechamento da lojinha do Vini), mas teve vezes que voltamos depois do jantar pela porta dos fundos e trabalhamos até depois das 22h.
O Henrique era um cara certinho, que no dia que eu percebi um erro no flowchart que ele fez a partir do código fonte, ele ficou pedindo desculpas totalmente humilhado e se auto-condenando. Fiquei até um pouco arrependido de mostrar o erro. A tensão constante lhe causou dores musculares. Ele vivia tomando uma balinha de morango para aliviar as dores. Começou a usar umas almofadas no ombro que o tornava parecido com o Robocop. Fazia natação na piscina do Hilton todo dia à noite na esperança de recuperar os músculos.
Ele nos proporcionou vários momentos de diversão às suas custas, dos quais me lembro bem de dois. Após o jantar a garçonete trouxe uma bandeja de doces cenográficos para vermos a aparência e escolhermos. Henrique perguntou se "eles eram reais", apontando para onde estava a bandeja, mas também os volumosos seios da garçonete, que se assustou com a ousadia da pergunta. Todos se seguraram para rir, mas quando rimos foi de soluçar. O Henrique abaixou a cabeça e murchou. Da outra vez, em uma celebração com aperitivos e cerveja, o Henrique contava que em Phoenix ficou preso trancado no banheiro do seu quarto de hotel. O Piracaia perguntou o que ele estava fazendo de tão íntimo para se trancar dentro do seu próprio quarto, e ele se envergonhou e se retirou silenciosamente da mesa. Foi uma situação muito constrangedora.
O Matsumoto sofreu da mesma tensão com o trabalho que o Henrique, mas ao invés de sofrer calado ele se manifestava de maneiras mais escandalosas. Promoveu ginástica laboral na sala junto com os contractors. Dizia que gritar Ulsa! fazia acalmar o stress, então o fazia subitamente. Um dia ele cortou o cabelo com máquina de barbear sozinho e chegou no dia seguinte com o cabelo todo falhado. Teve que voltar ao Brasil e nunca mais foi o mesmo, se é que um dia já tenha sido.
Quanto a mim não me alterei muito. O stress sofrido em conjunto me agradava. Que eu me lembre a única mancada que dei foi me trancar do lado de fora da área de piscina do hotel e ter que me dirigir à recepção em trajes de banho molhados para pedir outra chave. A piscina do Hilton era legal. Como aos sábados eram comuns acontecerem recepções de casamento, muita gente se hospedava lá na sexta feira, inclusive duas meninas de cabelo channel. Só quem viveu sabe. Toda friday night o Henrique, aquele certinho que nadava à noite, telefonava avisando que as meninas estavam indo para a piscina, mas que ele mesmo não iria ficar lá porque era um cara correto, e logo todos os brasileiros estavam posicionada nas cadeiras de piscina para assistir ao espetáculo. Jacuzzi, sauna, etc.
O tempo passava e o trabalho andava lentamente. Começamos a ver com mais frequência a presença de figuras ilustres. Tomamos café com o diretor Humberto. O VP brasileiro aparecia às vezes para dar uma cobrada geral. Uma das vezes foi durante um almoço na sala de trabalho, com o VP da empresa americana, onde a pizza foi acompanhada de uma bronca como eu nunca tinha presenciado antes.
Depois chegou a dupla de Rodrigos, que já haviam estudado juntos no PEE, e que ficavam se cutucando o dia inteiro, um provocando o outro. Um deles era o Kuntz, que era fanático por aeromodelos e sempre falava de ir no show girls, mas nunca chegou a ir. O outro era o Borbô, que não era muito afeito ao trabalho, e ainda atrapalhava os outros enquanto tentavam trabalhar. De manhã quando estávamos todos prontos para ir trabalhar ele chegava, atrasado, dizendo que ainda não tinha tomado café e que precisava parar no Starbucks, ou seja, todo mundo esperando até ele comprar os muffins para comer.
Mas também havia momentos felizes. O aniversário do Marengo no restaurante indiano. O aniversário do Vini em um restaurante refinado à beira do lago. O jogo de futebol americano na universidade.
A próxima atração a chegar foi o Samir, Cerávolo, Gustavinho e Variane, vindos do PEE a pouco tempo no DT. O Samir, não precisa nem falar, é uma fonte de situações inusitadas mistas de constrangedoras e engraçadas. No dia do Hooters, o Samir insistia que a garçonete estava a fim dele só porque ela era obrigada a ser simpática. Chamou ela para uma mesa separada para ficar conversando com ele e não dava sossego para a pobre. Tiramos fotos deste dia, mas não encontrei mais.
Houve também o incidente do traveller check. O quarto do Samir, como não podia deixar de ser, era uma bagunça. Tive a oportunidade de entrar lá e parecia que a empregada não entrava lá desde sua chegada, isto porque ele deixava sempre o sinal de "do not disturb" na porta. Não dava para ter controle sob o que estava lá dentro. Então um dia ele perdeu os traveller checks no quarto ou foi roubado, o que nunca saberemos, mas o fato é que teve que chamar a polícia. O Samir aproveitou a presença da polícia para tirar foto fingindo que estava sendo algemado.
O Vini teve que voltar por 10 dias para o Brasil para renovar a estadia de 3 meses. A Lilian ficou triste. Fiquei no lugar dele por esses dias coordenando o avanço das atividades da lojinha.
Mas estes momentos únicos estavam chegando ao fim. Estavam vencendo os meus 3 meses de estadia e eu precisava voltar ao Brasil. Minhas férias estavam a vencer então eu precisaria tirar um mês, e provavelmente o trabalho já estaria acabado quando eu voltasse de férias. Fui a última vez no the BOB com o Samir e o Cerávolo, e mandei o e-mail de despedida, de missão quase cumprida e de agradecimentos.
Para manter a boa forma fazíamos corrida no gigantesco quarteirão do hotel, que englobava um condomínio de casas.
Nos primeiros fins de semana fomos para cidades de praia no lago, como Grand Haven e Muskegon. Fazia calor mas ventava, e até um dia entramos na água sem sal do lago Michigan. Havia atrações nestes locais como exposição de carros.
Descobrimos uma boate onde dava para jantar num restaurante chic e depois ir para a pista dançar as músicas da moda (Cupid shuffle). Era o The BOB (big old building). Era lá que as bachelorettes faziam suas despedidas de solteira. Os costumes americanos são diferentes, é o que eu posso dizer. Uma pessoa do grupo tinha horário fixo marcado com a noiva para conversar todos os dias (o ack das 10:00), e tinha que voltar ao hotel para telefonar, para depois nos reencontrar no the BOB.
Em um fim de semana fomos de carro para Chicago. Apertados para ir ao banheiro, paramos no primeiro bairro na periferia de Chicago, e segundo o Flamino entramos em um Black Donalds. Em Chicago subimos na Sears Tower, experimentamos a stuffed pizza e andamos na orla do lago, desde o Millenium Park até o Navy Pier. Também viajamos para o museu Ford e para Detroit em outros fins de semana.
Ao fim de um mês o Marquinho, que era recém casado, teve que voltar ao Brasil e o trabalho não dava sinais de estar chegando ao fim.
Se não me engano vieram então o Henrique Mohallem e o Matsumoto, pessoas diametralmente opostas. Mas uma coisa tiveram em comum: os dois se quebraram muito na viagem. Começamos a tomar mais café. Monster Mocha em latinha. Flamino começou a tomar energético nos intervalos do café. Em uma oportunidade compramos café com aroma de crème brulée, que ficou impregnado na sala por dias.
Nossos horários costumeiramente passavam das 12h de trabalho. Anotávamos tudo em uma planilha para solicitar as horas extras. Era normal sairmos só na hora do jantar (fechamento da lojinha do Vini), mas teve vezes que voltamos depois do jantar pela porta dos fundos e trabalhamos até depois das 22h.
O Henrique era um cara certinho, que no dia que eu percebi um erro no flowchart que ele fez a partir do código fonte, ele ficou pedindo desculpas totalmente humilhado e se auto-condenando. Fiquei até um pouco arrependido de mostrar o erro. A tensão constante lhe causou dores musculares. Ele vivia tomando uma balinha de morango para aliviar as dores. Começou a usar umas almofadas no ombro que o tornava parecido com o Robocop. Fazia natação na piscina do Hilton todo dia à noite na esperança de recuperar os músculos.
Ele nos proporcionou vários momentos de diversão às suas custas, dos quais me lembro bem de dois. Após o jantar a garçonete trouxe uma bandeja de doces cenográficos para vermos a aparência e escolhermos. Henrique perguntou se "eles eram reais", apontando para onde estava a bandeja, mas também os volumosos seios da garçonete, que se assustou com a ousadia da pergunta. Todos se seguraram para rir, mas quando rimos foi de soluçar. O Henrique abaixou a cabeça e murchou. Da outra vez, em uma celebração com aperitivos e cerveja, o Henrique contava que em Phoenix ficou preso trancado no banheiro do seu quarto de hotel. O Piracaia perguntou o que ele estava fazendo de tão íntimo para se trancar dentro do seu próprio quarto, e ele se envergonhou e se retirou silenciosamente da mesa. Foi uma situação muito constrangedora.
O Matsumoto sofreu da mesma tensão com o trabalho que o Henrique, mas ao invés de sofrer calado ele se manifestava de maneiras mais escandalosas. Promoveu ginástica laboral na sala junto com os contractors. Dizia que gritar Ulsa! fazia acalmar o stress, então o fazia subitamente. Um dia ele cortou o cabelo com máquina de barbear sozinho e chegou no dia seguinte com o cabelo todo falhado. Teve que voltar ao Brasil e nunca mais foi o mesmo, se é que um dia já tenha sido.
Quanto a mim não me alterei muito. O stress sofrido em conjunto me agradava. Que eu me lembre a única mancada que dei foi me trancar do lado de fora da área de piscina do hotel e ter que me dirigir à recepção em trajes de banho molhados para pedir outra chave. A piscina do Hilton era legal. Como aos sábados eram comuns acontecerem recepções de casamento, muita gente se hospedava lá na sexta feira, inclusive duas meninas de cabelo channel. Só quem viveu sabe. Toda friday night o Henrique, aquele certinho que nadava à noite, telefonava avisando que as meninas estavam indo para a piscina, mas que ele mesmo não iria ficar lá porque era um cara correto, e logo todos os brasileiros estavam posicionada nas cadeiras de piscina para assistir ao espetáculo. Jacuzzi, sauna, etc.
O tempo passava e o trabalho andava lentamente. Começamos a ver com mais frequência a presença de figuras ilustres. Tomamos café com o diretor Humberto. O VP brasileiro aparecia às vezes para dar uma cobrada geral. Uma das vezes foi durante um almoço na sala de trabalho, com o VP da empresa americana, onde a pizza foi acompanhada de uma bronca como eu nunca tinha presenciado antes.
Depois chegou a dupla de Rodrigos, que já haviam estudado juntos no PEE, e que ficavam se cutucando o dia inteiro, um provocando o outro. Um deles era o Kuntz, que era fanático por aeromodelos e sempre falava de ir no show girls, mas nunca chegou a ir. O outro era o Borbô, que não era muito afeito ao trabalho, e ainda atrapalhava os outros enquanto tentavam trabalhar. De manhã quando estávamos todos prontos para ir trabalhar ele chegava, atrasado, dizendo que ainda não tinha tomado café e que precisava parar no Starbucks, ou seja, todo mundo esperando até ele comprar os muffins para comer.
Mas também havia momentos felizes. O aniversário do Marengo no restaurante indiano. O aniversário do Vini em um restaurante refinado à beira do lago. O jogo de futebol americano na universidade.
A próxima atração a chegar foi o Samir, Cerávolo, Gustavinho e Variane, vindos do PEE a pouco tempo no DT. O Samir, não precisa nem falar, é uma fonte de situações inusitadas mistas de constrangedoras e engraçadas. No dia do Hooters, o Samir insistia que a garçonete estava a fim dele só porque ela era obrigada a ser simpática. Chamou ela para uma mesa separada para ficar conversando com ele e não dava sossego para a pobre. Tiramos fotos deste dia, mas não encontrei mais.
Houve também o incidente do traveller check. O quarto do Samir, como não podia deixar de ser, era uma bagunça. Tive a oportunidade de entrar lá e parecia que a empregada não entrava lá desde sua chegada, isto porque ele deixava sempre o sinal de "do not disturb" na porta. Não dava para ter controle sob o que estava lá dentro. Então um dia ele perdeu os traveller checks no quarto ou foi roubado, o que nunca saberemos, mas o fato é que teve que chamar a polícia. O Samir aproveitou a presença da polícia para tirar foto fingindo que estava sendo algemado.
O Vini teve que voltar por 10 dias para o Brasil para renovar a estadia de 3 meses. A Lilian ficou triste. Fiquei no lugar dele por esses dias coordenando o avanço das atividades da lojinha.
Mas estes momentos únicos estavam chegando ao fim. Estavam vencendo os meus 3 meses de estadia e eu precisava voltar ao Brasil. Minhas férias estavam a vencer então eu precisaria tirar um mês, e provavelmente o trabalho já estaria acabado quando eu voltasse de férias. Fui a última vez no the BOB com o Samir e o Cerávolo, e mandei o e-mail de despedida, de missão quase cumprida e de agradecimentos.
Grand Rapids 2008 - parte 1
Era o ano de 2008. Depois de pouco mais de um ano de empresa eu já trabalhava com verificação de software. Um dia começaram alguns comentários de que havia a possibilidade da empresa enviar alguns funcionários para trabalhar por algum tempo no fornecedor do flap. Como o desenvolvimento tecnológico era uma área de mão de obra nova e com poucas metas urgentes, o gerente Armando concordou em contribuir com algumas pessoas.
Eu, que trabalhava com verificação, e o Francival, meu colega de PEE fomos selecionados. O gerente nos chamou em uma reunião na sala dele para conhecermos os detalhes. Neste dia conhecemos o Vinicius e o Marquinho, que completariam o time de 4 pessoas de software. Este primeiro grupo iria no dia 10 de julho. Uma semana depois da gente iria o Flamino, do grupo de ensaios em voo, que conheceríamos quando ele chegasse aos Estados Unidos.
As nossas atividades englobariam review e execução de testes de baixo nível e registro de PRs. A criação dos testes era feita por uma empresa indiana (EIEC e Tata), assim como todo o teste de HLR. Receberíamos um treinamento no fornecedor, trabalharíamos em turnos e receberíamos hora-extra. Ficaríamos no hotel Hilton da Patterson com a avenida 28th e alugaríamos um carro para cada 3 pessoas. Havia a possibilidade remota de concluirmos o trabalho no dia 4 de agosto, para auditoria com a ANAC, mas o mais provável era ser no dia 8 de setembro, com um pacote com 25% do escopo (bloco A). Tudo isto devidamente apontado no meu caderno de anotações.
O sonho começou a se tornar realidade quando recebemos o e-mail do gerente Marengo do programa Phenom, pedindo para a secretária disparar a missão.
***
Chegando à cidade de Grand Rapids, fomos almoçar naquele que se tornou o meu restaurante preferido de carnes, o Smokey Bones. Estávamos apenas nós 4, os primeiros. Lembro de ter pedido um ice tea e não ter entendido nada quando a garçonete perguntou sweetened, unsweetened?
À tarde fomos à empresa para conhecer o time que já estava lá, que eram sistemistas e pessoas do programa, que se revezavam. Estre os sistemistas revezavam: Evânio, Galvão, Bruno, Luiz Paiva. Entre os de programa: Marengo, Fernando Piracaia, Fedel, Rachel e Aurélio. Havia também sempre o acompanhamento de uma pessoa de certificação: Domiciano, Ruv, Mário, Victor, Lilian e Giovanni.
Lembro ainda de no primeiro dia à tarde irmos com o Aurélio, a bordo do HHR botinha, conhecer as atrações da avenida 28th, os restaurantes: Carraba's, Mongolian, Red Lobster, Applebees, Outback, Macarroni Grill, Chillis, On the Border, etc. Havia também um grande supermercado, o Meijer, onde paramos para comprar umas comidas.
As manhãs, após o continental breakfast no Hilton, iamos para a recepção da empresa, onde assinávamos a lista, pegávamos o crachá e esperávamos pela escolta do Steve, que todos os dias nos recepcionava com o seu tradicional Good Morning Everyone! Precisavamos de escolta de um funcionário para nos locomover dentro da empresa, nem que fosse para ir ao banheiro. Tinhamos também um crachá, que não servia para muito, mas que tínhamos que devolver ao final de cada dia. Devido a esquecimentos causados por motivos detalhados adiante tenho vários deles em casa como recordação.
Ficávamos com nossos laptops em uma sala de reunião comprida, que dividíamos com o consultor M. Schaffer (discípulo do M. DeWalt) e com contractors, que eram pessoas temporárias que estavam só para ajudar com o projeto. Segundo o Vini, eles estávam lá fishing (procurando emprego). Um deles, que até o final do seu contrato não conseguiu aprender a falar "Atah Amanya", passava o dia pesquisando sobre o carnaval no Rio. A sala mais tarde foi compartilhada com alguns poucos indianos, enquanto houve espaço.
Com funcionários da empresa tínhamos contato com a sempre sorridente Lori, o jogador de hockey grandalhão T. Blair, o pirata Kevin que falava Ammiraju para deleite do Marquinho, e o responsável pela verificação de software razão de toda a mobilização John White.
O Flamino chegou depois de uma semana, e completou o grupo inicial.
Eu, que trabalhava com verificação, e o Francival, meu colega de PEE fomos selecionados. O gerente nos chamou em uma reunião na sala dele para conhecermos os detalhes. Neste dia conhecemos o Vinicius e o Marquinho, que completariam o time de 4 pessoas de software. Este primeiro grupo iria no dia 10 de julho. Uma semana depois da gente iria o Flamino, do grupo de ensaios em voo, que conheceríamos quando ele chegasse aos Estados Unidos.
As nossas atividades englobariam review e execução de testes de baixo nível e registro de PRs. A criação dos testes era feita por uma empresa indiana (EIEC e Tata), assim como todo o teste de HLR. Receberíamos um treinamento no fornecedor, trabalharíamos em turnos e receberíamos hora-extra. Ficaríamos no hotel Hilton da Patterson com a avenida 28th e alugaríamos um carro para cada 3 pessoas. Havia a possibilidade remota de concluirmos o trabalho no dia 4 de agosto, para auditoria com a ANAC, mas o mais provável era ser no dia 8 de setembro, com um pacote com 25% do escopo (bloco A). Tudo isto devidamente apontado no meu caderno de anotações.
O sonho começou a se tornar realidade quando recebemos o e-mail do gerente Marengo do programa Phenom, pedindo para a secretária disparar a missão.
***
Chegando à cidade de Grand Rapids, fomos almoçar naquele que se tornou o meu restaurante preferido de carnes, o Smokey Bones. Estávamos apenas nós 4, os primeiros. Lembro de ter pedido um ice tea e não ter entendido nada quando a garçonete perguntou sweetened, unsweetened?
À tarde fomos à empresa para conhecer o time que já estava lá, que eram sistemistas e pessoas do programa, que se revezavam. Estre os sistemistas revezavam: Evânio, Galvão, Bruno, Luiz Paiva. Entre os de programa: Marengo, Fernando Piracaia, Fedel, Rachel e Aurélio. Havia também sempre o acompanhamento de uma pessoa de certificação: Domiciano, Ruv, Mário, Victor, Lilian e Giovanni.
Lembro ainda de no primeiro dia à tarde irmos com o Aurélio, a bordo do HHR botinha, conhecer as atrações da avenida 28th, os restaurantes: Carraba's, Mongolian, Red Lobster, Applebees, Outback, Macarroni Grill, Chillis, On the Border, etc. Havia também um grande supermercado, o Meijer, onde paramos para comprar umas comidas.
As manhãs, após o continental breakfast no Hilton, iamos para a recepção da empresa, onde assinávamos a lista, pegávamos o crachá e esperávamos pela escolta do Steve, que todos os dias nos recepcionava com o seu tradicional Good Morning Everyone! Precisavamos de escolta de um funcionário para nos locomover dentro da empresa, nem que fosse para ir ao banheiro. Tinhamos também um crachá, que não servia para muito, mas que tínhamos que devolver ao final de cada dia. Devido a esquecimentos causados por motivos detalhados adiante tenho vários deles em casa como recordação.
Ficávamos com nossos laptops em uma sala de reunião comprida, que dividíamos com o consultor M. Schaffer (discípulo do M. DeWalt) e com contractors, que eram pessoas temporárias que estavam só para ajudar com o projeto. Segundo o Vini, eles estávam lá fishing (procurando emprego). Um deles, que até o final do seu contrato não conseguiu aprender a falar "Atah Amanya", passava o dia pesquisando sobre o carnaval no Rio. A sala mais tarde foi compartilhada com alguns poucos indianos, enquanto houve espaço.
Com funcionários da empresa tínhamos contato com a sempre sorridente Lori, o jogador de hockey grandalhão T. Blair, o pirata Kevin que falava Ammiraju para deleite do Marquinho, e o responsável pela verificação de software razão de toda a mobilização John White.
O Flamino chegou depois de uma semana, e completou o grupo inicial.
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