domingo, 18 de setembro de 2016

Passeios em São Jose


também:
- visita ao observatório nas quartas feiras
- tomar lanche no Flor de Ype ou Padaria da Árvore
- passear no parque Vicentina à noite

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Grand Rapids 2008 - parte 3

Voltei para o Brasil e perdi a festa de halloween com os funcionários da americanos. Parece ter sido à altura.

Na volta ao trabalho, o time havia se mudado para a fazendinha. A mudança para o ritmo de trabalho no DT me deprimiria. Foi então que me convidaram para voltar por mais um mês a Grand Rapids. Fiquei muito feliz por ter a oportunidade de terminar aquilo que estávamos trabalhando tão intensamente.

Chegando à empresa me deparei com a sala de reunião onde trabalhávamos cheia, só com brasileiros. Passei cumprimentando todos. De novos havia Daniela, Matheus, Sidney, Althoff e Andriolli. Havia cabos de rede improvisados por cima da mesa de reunião e uma arvorezinha de natal antecipando o desfecho.



A esta altura o trabalho já estava muito pesado. Não havia mais fins de semana. Os últimos a chegarem trabalharam durante 1 mês sem descanso. Todo dia a lojinha fechava tarde. O almoço era em restaurantes rápidos como o Grinders e o Panera.

Em algumas oportunidades ainda pudemos sair à noite, como quando fomos assistir à estréia do Batman 3D no Imax com ingressos presenteados pelo simpático japonês Ibarra.

Começou a esfriar. No primeiro dia de neve todos os brasileiros correram para o estacionamento da empresa para brincar de guerra de neve e fazer boneco de neve. Foi muito divertido, inclusive para os americanos que assistiram a tudo pela janela.



A black friday aconteceu quando estávamos lá. Às 10 da noite do dia anterior já havia gente fazendo fila em barracas. Muita gente acordou muito cedo para aproveitar as promoções, mas eu preferi dormir direito. Na hora do almoço passei numa loja para comprar um roteador sem fio. As funcionárias vibravam vibravam com as promoções. A senhorinha Rachaella, que tinha que colar o rosto no monitor para conseguir ler, ficava dando várias dicas para a gente.

O Sidney teve a felicidade de alugar um Mustang na troca de carro. O carro que todo mundo queria dirigir. Houve um dia em que eu teria que chegar mais cedo à empresa para adiantar e deixar pronta uma baseline do DOORS antes que o pessoal chegasse no trabalho. Tive então a desculpa para sair mais cedo no dia anterior para poder descansar, e fui com o carro do Sidney. Mas na verdade fui dar umas voltas de Mustang pela interestadual 96.



Também tivemos a oportunidade de passar momentos inter-culturais incríveis com os indianos. Havia uma dezena deles em uma outra sala, cuidando dos testes de alto nível, mas tivemos mais contato com o Vaibhav (apelidado ora-bolas), o vegetariano Amol e a Pritti. Vaibhav inclusive me pegou em uma situação desonrosa em que o Samir tinha mexido no meu fundo de tela e eu não conseguia voltar ao original. Outros indianos que sempre ouvíamos falar, mas que nunca conhecemos: Koteswara, Arvind, Sreetha, Vikash, Ammiraju. Em uma confraternização os indianos comeram pizza com carne e só descobriram depois.

À noite, quando a qualidade liberou o run-for-score, tivemos que rodar novamente todos os testes que havíamos executado no dry-run. Foi aí que foi inventada a máquina do tempo, em que os resultados antigos ganharam datas novas na calada da noite.

Já era dezembro. O contrato do carro venceu antes do final de nossa estadia e tive que trocar o carro. Desta vez peguei um furgão de 10 lugares, que inaugurei levando o pessoal para passear no shopping Riverside. Ficamos poucos dias com o furgão. Infelizmente não tiramos nenhuma foto para recordar dele.

A missão chegava ao fim. Terminamos o trabalho e o Flamino fã do DOORS colocou para tocar This is the end. Nos despedimos de todos e fomos embora. Pela penúltima vez.

Antes disto havíamos discutido extensamente para escolher o que fazer no último fim de semana. Teve o pessoal que decidiu ir ver um jogo de hockey não sei aonde, e eu e a Daniela quisemos ir de carro para NY, por sugestão do Vini. Levaríamos o Gustavinho por uma parte do caminho, onde ele ficaria com a sua família americana (de um intercâmbio que ele fez no passado) e parecia ter planos de ficar com a sua irmã americana. O Samir ficou até a última hora indeciso de onde iria, mas no final resolveu ficar, evitando mais gafes. Fomos fazer compras para a viagem no Meijer, onde a Daniela se mostrava extremamente apreensiva e indecisa se deveria fazer mesmo aquela viagem de 1200 km em um país distante, e debaixo de neve. Eu a tranquilizei dizendo ter certeza de que tudo estava sob controle e que a viagem era absolutamente normal. Ela se deixou enganar.

Era quase meia noite, quando o telefone tocou e era o Vini. Ligando da empresa. Eles tinham descoberto alguns PRs que precisavam de verificação para fechar. Foi então que tive que levantar e ir para lá, onde o Vini estava me esperando para abrir a porta de trás. O trabalho que faltava era maior do que a quantidade de pessoas que estavam presentes. Então o Vini foi chamar o grupo do Samir, Cerávolo e Gustavinho, que voltavam do The BOB. Eu abri a porta para eles entrarem. A esta altura não precisava mais de crachá, não precisava mais de escolta.

Acabei minha parte umas 3 da manhã e fui dormir, porque eu tinha que levantar às 4h para trocar o carro na locadora (pois o furgão não seria uma opção econômica para uma viagem longa) para depois buscar a Daniela no horário combinado: 5h. O Dodge Magnum alugado era um carro de estilo clássico, e derrapou durante alguns segundos no estacionamento do Hilton, recuperando a tração antes que se chocasse com os carros estacionados. Daniela entrou no carro, fomos buscar o Gustavinho na empresa e partimos em viagem.

Iamos revezando a direção, enquanto o outro dormia. O trajeto, que seria demorado, acabou demorando um pouco mais, porque erramos a estrada e só percebemos em uma parada para um lanche. Já era umas 22h quando chegamos a NY, mas de maneira nenhuma conseguíamos chegar no hotel Super 8 que tinhamos visto com um bom preço. Eram muitas highways, a apesar de avistarmos o hotel não conseguíamos atravessar até ele. Andamos de carro por horas, por todos os bairros fora da ilha de Manhattan, tentando achar onde ficar. Decidimos que iamos começar a voltar e encontrar algum lugar minimamente decente na estrada, quando vimos um Ramada com preço bom. No dia seguinte descobrimos que estávamos a poucas quadras da estação Brick Church em East Orange, que levava direto a NYC. A sorte tinha mudado nas nossas férias frustradas.



Em 2 dias visitamos muitas lojas de brinquedo, cafeterias e andamos no Central Park. Fomos de metrô para Wall Street para tirar foto com o touro. Passamos um pouco de frio e no retorno batemos o record de temperatura fria: 16F.




Na volta a Grand Rapids ficamos sabendo que o avião havia recebido o Type Certification. Fim da viagem, missão cumprida.

Grand Rapids 2008 - parte 2

A rotina era sempre parecida. trabalhávamos, almoçávamos fora e depois trabalhávamos mais. A noite íamos em alguma loja e jantávamos. Os almoços eram variados, mas um lugar que eu gostava bastante era o Mongolian grill. A gente colocava a comida crua em uma cumbuca e levava para o cozinheiro preparar em uma chapa grande redonda e compartilhada. Era comum a comida de outros se misturar com a nossa antes de vir para o prato.

Para manter a boa forma fazíamos corrida no gigantesco quarteirão do hotel, que englobava um condomínio de casas.

Nos primeiros fins de semana fomos para cidades de praia no lago, como Grand Haven e Muskegon. Fazia calor mas ventava, e até um dia entramos na água sem sal do lago Michigan. Havia atrações nestes locais como exposição de carros.


Descobrimos uma boate onde dava para jantar num restaurante chic e depois ir para a pista dançar as músicas da moda (Cupid shuffle). Era o The BOB (big old building). Era lá que as bachelorettes faziam suas despedidas de solteira. Os costumes americanos são diferentes, é o que eu posso dizer. Uma pessoa do grupo tinha horário fixo marcado com a noiva para conversar todos os dias (o ack das 10:00), e tinha que voltar ao hotel para telefonar, para depois nos reencontrar no the BOB. 


Em um fim de semana fomos de carro para Chicago. Apertados para ir ao banheiro, paramos no primeiro bairro na periferia de Chicago, e segundo o Flamino entramos em um Black Donalds. Em Chicago subimos na Sears Tower, experimentamos a stuffed pizza e andamos na orla do lago, desde o Millenium Park até o Navy Pier. Também viajamos para o museu Ford e para Detroit em outros fins de semana.



Ao fim de um mês o Marquinho, que era recém casado, teve que voltar ao Brasil e o trabalho não dava sinais de estar chegando ao fim.

Se não me engano vieram então o Henrique Mohallem e o Matsumoto, pessoas diametralmente opostas. Mas uma coisa tiveram em comum: os dois se quebraram muito na viagem. Começamos a tomar mais café. Monster Mocha em latinha. Flamino começou a tomar energético nos intervalos do café. Em uma oportunidade compramos café com aroma de crème brulée, que ficou impregnado na sala por dias.

Nossos horários costumeiramente passavam das 12h de trabalho. Anotávamos tudo em uma planilha para solicitar as horas extras. Era normal sairmos só na hora do jantar (fechamento da lojinha do Vini), mas teve vezes que voltamos depois do jantar pela porta dos fundos e trabalhamos até depois das 22h.


O Henrique era um cara certinho, que no dia que eu percebi um erro no flowchart que ele fez a partir do código fonte, ele ficou pedindo desculpas totalmente humilhado e se auto-condenando. Fiquei até um pouco arrependido de mostrar o erro. A tensão constante lhe causou dores musculares. Ele vivia tomando uma balinha de morango para aliviar as dores. Começou a usar umas almofadas no ombro que o tornava parecido com o Robocop. Fazia natação na piscina do Hilton todo dia à noite na esperança de recuperar os músculos.

Ele nos proporcionou vários momentos de diversão às suas custas, dos quais me lembro bem de dois. Após o jantar a garçonete trouxe uma bandeja de doces cenográficos para vermos a aparência e escolhermos. Henrique perguntou se "eles eram reais", apontando para onde estava a bandeja, mas também os volumosos seios da garçonete, que se assustou com a ousadia da pergunta. Todos se seguraram para rir, mas quando rimos foi de soluçar. O Henrique abaixou a cabeça e murchou. Da outra vez, em uma celebração com aperitivos e cerveja, o Henrique contava que em Phoenix ficou preso trancado no banheiro do seu quarto de hotel. O Piracaia perguntou o que ele estava fazendo de tão íntimo para se trancar dentro do seu próprio quarto, e ele se envergonhou e se retirou silenciosamente da mesa. Foi uma situação muito constrangedora.




O Matsumoto sofreu da mesma tensão com o trabalho que o Henrique, mas ao invés de sofrer calado ele se manifestava de maneiras mais escandalosas. Promoveu ginástica laboral na sala junto com os contractors. Dizia que gritar Ulsa! fazia acalmar o stress, então o fazia subitamente. Um dia ele cortou o cabelo com máquina de barbear sozinho e chegou no dia seguinte com o cabelo todo falhado. Teve que voltar ao Brasil e nunca mais foi o mesmo, se é que um dia já tenha sido.



Quanto a mim não me alterei muito. O stress sofrido em conjunto me agradava. Que eu me lembre a única mancada que dei foi me trancar do lado de fora da área de piscina do hotel e ter que me dirigir à recepção em trajes de banho molhados para pedir outra chave. A piscina do Hilton era legal. Como aos sábados eram comuns acontecerem recepções de casamento, muita gente se hospedava lá na sexta feira, inclusive duas meninas de cabelo channel. Só quem viveu sabe. Toda friday night o Henrique, aquele certinho que nadava à noite, telefonava avisando que as meninas estavam indo para a piscina, mas que ele mesmo não iria ficar lá porque era um cara correto, e logo todos os brasileiros estavam posicionada nas cadeiras de piscina para assistir ao espetáculo. Jacuzzi, sauna, etc.

O tempo passava e o trabalho andava lentamente. Começamos a ver com mais frequência a presença de figuras ilustres. Tomamos café com o diretor Humberto. O VP brasileiro aparecia às vezes para dar uma cobrada geral. Uma das vezes foi durante um almoço na sala de trabalho, com o VP da empresa americana, onde a pizza foi acompanhada de uma bronca como eu nunca tinha presenciado antes.

Depois chegou a dupla de Rodrigos, que já haviam estudado juntos no PEE, e que ficavam se cutucando o dia inteiro, um provocando o outro. Um deles era o Kuntz, que era fanático por aeromodelos e sempre falava de ir no show girls, mas nunca chegou a ir. O outro era o Borbô, que não era muito afeito ao trabalho, e ainda atrapalhava os outros enquanto tentavam trabalhar. De manhã quando estávamos todos prontos para ir trabalhar ele chegava, atrasado, dizendo que ainda não tinha tomado café e que precisava parar no Starbucks, ou seja, todo mundo esperando até ele comprar os muffins para comer.

Mas também havia momentos felizes. O aniversário do Marengo no restaurante indiano. O aniversário do Vini em um restaurante refinado à beira do lago. O jogo de futebol americano na universidade.



A próxima atração a chegar foi o Samir, Cerávolo, Gustavinho e Variane, vindos do PEE a pouco tempo no DT. O Samir, não precisa nem falar, é uma fonte de situações inusitadas mistas de constrangedoras e engraçadas. No dia do Hooters, o Samir insistia que a garçonete estava a fim dele só porque ela era obrigada a ser simpática. Chamou ela para uma mesa separada para ficar conversando com ele e não dava sossego para a pobre. Tiramos fotos deste dia, mas não encontrei mais.


Houve também o incidente do traveller check. O quarto do Samir, como não podia deixar de ser, era uma bagunça. Tive a oportunidade de entrar lá e parecia que a empregada não entrava lá desde sua chegada, isto porque ele deixava sempre o sinal de "do not disturb" na porta. Não dava para ter controle sob o que estava lá dentro. Então um dia ele perdeu os traveller checks no quarto ou foi roubado, o que nunca saberemos, mas o fato é que teve que chamar a polícia. O Samir aproveitou a presença da polícia para tirar foto fingindo que estava sendo algemado.



O Vini teve que voltar por 10 dias para o Brasil para renovar a estadia de 3 meses. A Lilian ficou triste. Fiquei no lugar dele por esses dias coordenando o avanço das atividades da lojinha.

Mas estes momentos únicos estavam chegando ao fim. Estavam vencendo os meus 3 meses de estadia e eu precisava voltar ao Brasil. Minhas férias estavam a vencer então eu precisaria tirar um mês, e provavelmente o trabalho já estaria acabado quando eu voltasse de férias. Fui a última vez no the BOB com o Samir e o Cerávolo, e mandei o e-mail de despedida, de missão quase cumprida e de agradecimentos.

Grand Rapids 2008 - parte 1

Era o ano de 2008. Depois de pouco mais de um ano de empresa eu já trabalhava com verificação de software. Um dia começaram alguns comentários de que havia a possibilidade da empresa enviar alguns funcionários para trabalhar por algum tempo no fornecedor do flap. Como o desenvolvimento tecnológico era uma área de mão de obra nova e com poucas metas urgentes, o gerente Armando concordou em contribuir com algumas pessoas.

Eu, que trabalhava com verificação, e o Francival, meu colega de PEE fomos selecionados. O gerente nos chamou em uma reunião na sala dele para conhecermos os detalhes. Neste dia conhecemos o Vinicius e o Marquinho, que completariam o time de 4 pessoas de software. Este primeiro grupo iria no dia 10 de julho. Uma semana depois da gente iria o Flamino, do grupo de ensaios em voo, que conheceríamos quando ele chegasse aos Estados Unidos.

As nossas atividades englobariam review e execução de testes de baixo nível e registro de PRs. A criação dos testes era feita por uma empresa indiana (EIEC e Tata), assim como todo o teste de HLR. Receberíamos um treinamento no fornecedor, trabalharíamos em turnos e receberíamos hora-extra. Ficaríamos no hotel Hilton da Patterson com a avenida 28th e alugaríamos um carro para cada 3 pessoas. Havia a possibilidade remota de concluirmos o trabalho no dia 4 de agosto, para auditoria com a ANAC, mas o mais provável era ser no dia 8 de setembro, com um pacote com 25% do escopo (bloco A). Tudo isto devidamente apontado no meu caderno de anotações.

O sonho começou a se tornar realidade quando recebemos o e-mail do gerente Marengo do programa Phenom, pedindo para a secretária disparar a missão.

***

Chegando à cidade de Grand Rapids, fomos almoçar naquele que se tornou o meu restaurante preferido de carnes, o Smokey Bones. Estávamos apenas nós 4, os primeiros. Lembro de ter pedido um ice tea e não ter entendido nada quando a garçonete perguntou sweetened, unsweetened?
À tarde fomos à empresa para conhecer o time que já estava lá, que eram sistemistas e pessoas do programa, que se revezavam. Estre os sistemistas revezavam: Evânio, Galvão, Bruno, Luiz Paiva. Entre os de programa: Marengo, Fernando Piracaia, Fedel, Rachel e Aurélio. Havia também sempre o acompanhamento de uma pessoa de certificação: Domiciano, Ruv, Mário, Victor, Lilian e Giovanni.

Lembro ainda de no primeiro dia à tarde irmos com o Aurélio, a bordo do HHR botinha, conhecer as atrações da avenida 28th, os restaurantes: Carraba's, Mongolian, Red Lobster, Applebees, Outback, Macarroni Grill, Chillis, On the Border, etc. Havia também um grande supermercado, o Meijer, onde paramos para comprar umas comidas.

As manhãs, após o continental breakfast no Hilton, iamos para a recepção da empresa, onde assinávamos a lista, pegávamos o crachá e esperávamos pela escolta do Steve, que todos os dias nos recepcionava com o seu tradicional Good Morning Everyone! Precisavamos de escolta de um funcionário para nos locomover dentro da empresa, nem que fosse para ir ao banheiro. Tinhamos também um crachá, que não servia para muito, mas que tínhamos que devolver ao final de cada dia. Devido a esquecimentos causados por motivos detalhados adiante tenho vários deles em casa como recordação.

Ficávamos com nossos laptops em uma sala de reunião comprida, que dividíamos com o consultor M. Schaffer (discípulo do M. DeWalt) e com contractors, que eram pessoas temporárias que estavam só para ajudar com o projeto. Segundo o Vini, eles estávam lá fishing (procurando emprego). Um deles, que até o final do seu contrato não conseguiu aprender a falar "Atah Amanya", passava o dia pesquisando sobre o carnaval no Rio. A sala mais tarde foi compartilhada com alguns poucos indianos, enquanto houve espaço.

Com funcionários da empresa tínhamos contato com a sempre sorridente Lori, o jogador de hockey grandalhão T. Blair, o pirata Kevin que falava Ammiraju para deleite do Marquinho, e o responsável pela verificação de software razão de toda a mobilização John White.

O Flamino chegou depois de uma semana, e completou o grupo inicial.


sábado, 9 de julho de 2016

O armazenamento das recordações

A história sempre trouxe o problema de não conseguir se guardar para as gerações seguintes. Os registros, inicialmente em papel e no último século em fitas de áudio e video eram difíceis de guardar pois se perdiam ou estragavam. O volume necessário para guarda-los fazia com que muitas coisas fossem descartadas pelas famílias. A tecnologia da época não facilitava que se tirassem fotos ou gravassem vídeos, pois não era acessível ou era cara.

Com a era digital, é muito fácil registrar, guardar e ainda por cima multiplicar as recordações em backups e cópias para toda a família. É possível filmar cada evento importante da vida da pessoa, desde seu nascimento. Pode se ter um registro quase diário.

Mas as recordações ainda não estão seguras. Se antes o problema era a falta de informação, agora é o excesso que põe em risco a preservação das memórias. É necessário saber separar o que é importante do que não é. É importante não exagerar nos registros das recordações pelo simples fato de ser fácil faze-lo - com qualquer celular atualmente. E principalmente, é importante ter um sistema para organizar as informações para saber encontra-las quando necessário.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Zumbido tem cura

O problema começou provavelmente em 2011 durante a gestação de minha filha Ana Carolina. Um zumbido constante no ouvido esquerdo presente 24h por dia. Não é um chiado ou algo intermitente. É como aquele barulho que fazia quando se ligavam aquelas televisões de antigamente, de tubo.

Minha primeira consulta à otorrino, a dra. Catharina, me rendeu um exame de audiometria com dr Francisco e a constatação de que havia uma perda de audição em frequências de 500 Hz, provavelmente a mesma frequência que o zumbido. Fiz ressonância magnética em um tubo parecido com o do Dr. House e depois de alguns minutos imóvel, no fim do exame, me enfiaram uma agulha com contraste no pulso. A conclusão da dra Catharina era que não havia nada a fazer a não ser me acalmar e reduzir cafeína.

Após o nascimento de minha filha o problema melhorou, e se não estiver enganado acredito que ele tenha até sumido. Mas já fazem anos e não me lembro ao certo.

Não sei se tem relação, mas por este tempo também precisei tirar 1 ou 2 dentes do ciso.

Mas depois de algum tempo, não lembro exatamente quando, os sintomas voltaram. Uma segunda consulta, na clínica Cian me proporcionou novamente fazer a audiometria e um exame que se não me engano chamava Bera, em que a médica esfregou uma gaze atrás da minha orelha que quase saiu sangue. Li os laudos dos exames, a frequência de perda auditiva havia se movido para 6 kHz, mas como os exames não indicavam nenhuma anormalidade, nem retornei à Cian para não ouvir a mesma conclusão que antes.

Percebi certa vez uma melhora quando dormi ouvindo barulho de chuva no celular. Acho que uma forma de fazer o cérebro filtrar o ruido.

Certo dia em 2016, acredito que depois de algumas semanas de bastante café, acordei no meio da noite com o zumbido mais forte, e ao amanhecer, tive muita tontura. Toda vez que mexia a cabeça dava mais tontura e enjoo e precisei até visitar o toilete para vomitar. Não consegui trabalhar neste dia. Fui no Policlin e consegui dispensa do trabalho para repouso em casa. Tomei Dramin e no dia seguinte melhorei da tontura e voltei a trabalhar, apesar do zumbido permanecer em um nível mais forte.

Baixei um software que emite sons em frequências definidas que detecta perda auditiva e promete reduzi-la. Percebi que meu ouvido esquerdo estava bastante insensível às altas frequências.

Uma amiga da Alessandra indicou o Dr. Bueno, que havia curado o zumbido do marido de alguém, mas no meu caso ele só me pediu uma tomografia e encaminhou para o Dr Magoga, da Cian. O Dr. Magoga falou que aquela tomografia não servia e que eu deveria fazer a ressonância novamente e os exames de audiometria, já que os sintomas haviam ficado mais fortes. Indicou um remédio para melhorar a circulação sanguínea à base de ginseng, que eu precisava tomar por 3 meses e uma caixa que durava um mês custava 200 reais. Falou que dependendo eu poderia usar um aparelho auditivo, mas isto não me animou. Acabei achando um remédio genérico, com menos cápsulas e próximo ao vencimento que custou uns 60 reais, e apesar de não ter ajudado nos sintomas, serviu para eu perceber que não adiantaria tomar o remédio de 200 reais mensais.

Comecei a pesquisar por conta própria, e assisti a alguns vídeos da Dra Tanit do grupo GANZ, que falava sobre alimentação, e por isso comecei a me alimentar mais regularmente, evitando açúcar e comendo batata doce. Vi também um depoimento de uma pessoa que disse que foi a uma osteopata craniana e estava tratando o problema de ATM (articulação da mandíbula) e que isto havia ajudado.

Resolvi suspender imediatamente o consumo de café, refrigerantes, vitamina C dissolvível, pimenta, parar de ouvir fone de ouvido, não ficar de jejum e parei até de ir à academia, o que de certa forma foi bom porque estava fazendo muito frio.

Já havia reparado, mas comecei a dar mais importância ao fato de que quando minha boca estalava o zumbido temporariamente se aguçava. Tudo indicava ser um problema mecânico.

Fui então em busca da osteopata, a dra Amanda, que apesar de trabalhar em uma clínica de coluna vertebral, aceitou atender o meu caso. A clínica mais parecia um spa ou uma coisa voltada ao prazer através da massagem. Tive dúvidas sobre como eu seria atendido, mas o lugar era sério. Ela fez muitas massagens na minha cabeça e dentro da minha boca com o dedo, e isto me deixou mais tranquilo, e aparentemente acalmado o zumbido por vários dias, seja pelas massagens ou pelo conforto psicológico. Deve-se ressaltar que ela era muito boazinha e a massagem me fazia sentir vontade de dormir. Infelizmente o retorno da clínica para casa era feito a pé, o que me deixava cansado. Fui duas vezes lá, uma vez pagando e na outra o retorno. Mas o tratamento não poderia continuar se eu não conseguisse uma forma de conseguir reembolso, pois o meu plano aparentemente não cobre massagens caso elas não tenham pedido médico.

Uma coisa que tirei disto é que o nervoso ou o café poderiam fazer com que eu apertasse os dentes à noite (ou até durante o dia) e isto comprimisse meu nervo óptico. De fato existe um bruxismo acontecendo à noite, mas isto não era novidade.

Fui a uma dentista especializada em ATM, que tentou me dar uma receita para conseguir reembolso da massagem (mas não funcionou) e me pediu outra ressonância. Ela pediu para eu tomar cuidado para não encostar os dentes e não dormir com a mandíbula torta.

(estado atual)

FSWP Canada

Desde que a Ana Carolina nasceu penso em como fazer com que ela se desenvolva como uma cidadã do mundo. Sempre imaginei as viagens fantásticas que faria com ela e como que ela aprenderia o traquejo de viagens acumulando horas de janela de avião.

Depois que ela começou a frequentar a escola, achei fundamental que ela tivesse uma experiência de estudar fora. Por que esperar até a adolescência se é até os 7 anos que a criança tem mais facilidade em se adaptar a novas línguas.

Considerei que nos Estados Unidos haveria dificuldades. Já no Canada, as coisas parecem mais baratas e mais fáceis.

Existe a possibilidade de pagar pela escola (tuition fee), mas pesquisei e descobri que a escola pública era gratuita para residentes permanentes. O programa FSW é uma forma de obter este visto, concedido para profissionais de uma das áreas demandadas, entre elas engenharia.

No programa os candidatos são pontuados pela experiência profissional, acadêmica, domínio do inglês e uma parte do ponto era a idade, que começava a perder pontos a partir dos 36 anos. Como estou beirando os 35 achei que era hora de agir.

Me inscrevi no exame Ielts para obter a evidência da habilidade em inglês e as provas foram marcadas para dia 19/2 (exame oral) e 20/2 (leitura, escrita e auditiva). Havia uma pressão que eu deveria tirar no mínimo nota 6 em cada uma das quatro habilidades para poder passar. Procurei a professora da Alessandra, teacher Cibele, que concordou em me ajudar até a prova, fazendo 4 aulas avulsas. Com as aulas ganhei confiança na conversação e treinei como estender o assunto para não dar respostas muito curtas, como por exemplo:

-- Do you have ability for hand crafts?
-- No

-- Do you think all the animals can live in the cities?
-- Only cats and dogs

-- What is the most exotic animal you have ever seen?
-- Panda, panda bear.

Ou então assim https://www.youtube.com/watch?v=48yr93hwvCk

O plano de estudo foi assim...

O dia 19 de fevereiro era uma sexta feira. Trabalhei de manhã, almocei no serviço e fomos para SP. Estava muito calor, pegamos trânsito e ainda precisava deixar a Alessandra e AC na casa de minha mãe antes de ir para o exame no hotel .... Cheguei com a camisa suada no lugar do cinto de segurança e tive que trocar de camisa no banheiro do hotel.

O exame foi muito bom. A senhorinha que aplicou o exame era muito simpática e sempre sorria com as respostas que eu dava. Até usei o "animals are used to living in the forests", que a professora aconselhou eu não usar pois eu estava cometendo o erro de esquecer o "ing". Na volta para casa choveu muito, mas eu estava tranquilo por já ter ido bem na prova.

O dia seguinte começou cedo, com a grande inundação da cozinha e área de serviço da minha mãe. O aquecedor por algum motivo estragou e derramou água durante a noite inteira. Tive que passar algum tempo com rodo e panos para secar.

A prova era à tarde na FAAP, mas resolvi ir para lá assim que pudesse, para não me perder. Cheguei tão cedo que deu tempo de visitar o Museu do Futebol no estádio do Pacaembu. Almocei pão de queijo e fiz os exames.

Depois de 20 dias úteis as notas saíram. 

 
Significa que no exame de leitura tirei fundo de escala, fui bem no exame oral e auditivo, mas por algum motivo a nota da escrita não foi tão boa como eu esperava.

O próximo passo era comprovar a escolaridade, que eu imaginava ser apenas mandar uma cópia do diploma, mas não era. Era necessário que a escola mandasse o histórico escolar para uma instituição de análise de diplomas para definir a equivalência com a escolaridade canadense. Pelo fato do histórico estar em português, ainda era necessário eu pagar uma tradução certificada, que estava saindo na casa de CAD 200, numa tradutora indicada.

Busquei como forma alternativa pagar um freelancer português no 5er para fazer a tradução. Ele se chamava David Veríssimo e me cobrou USD 10 que eu paguei com o saldo que já tinha no site. Prometi pagar mais $5 de presente pelo esforço dele, e daí o 5er me deu exatos 5$ de bônus pela minha compra de $10. Ou seja, não tirei dinheiro do bolso para a tradução. Deu um pouco de trabalho pois tive que conferir a tradução dele, que tinha alguns erros de digitação, e tive que escrever uma declaração para ele assinar, baseada em um modelo que eu encontrei na net.

O histórico que o Ita mandou demorou bastante para chegar, mas assim que chegou saiu imediatamente a validação do meu diploma de mestrado. Imediatamente abri o processo no site da imigração e no banco de jobs.

(estado atual)