Voltei para o Brasil e perdi a festa de halloween com os funcionários da americanos. Parece ter sido à altura.
Na volta ao trabalho, o time havia se mudado para a fazendinha. A mudança para o ritmo de trabalho no DT me deprimiria. Foi então que me convidaram para voltar por mais um mês a Grand Rapids. Fiquei muito feliz por ter a oportunidade de terminar aquilo que estávamos trabalhando tão intensamente.
Chegando à empresa me deparei com a sala de reunião onde trabalhávamos cheia, só com brasileiros. Passei cumprimentando todos. De novos havia Daniela, Matheus, Sidney, Althoff e Andriolli. Havia cabos de rede improvisados por cima da mesa de reunião e uma arvorezinha de natal antecipando o desfecho.
A esta altura o trabalho já estava muito pesado. Não havia mais fins de semana. Os últimos a chegarem trabalharam durante 1 mês sem descanso. Todo dia a lojinha fechava tarde. O almoço era em restaurantes rápidos como o Grinders e o Panera.
Em algumas oportunidades ainda pudemos sair à noite, como quando fomos assistir à estréia do Batman 3D no Imax com ingressos presenteados pelo simpático japonês Ibarra.
Começou a esfriar. No primeiro dia de neve todos os brasileiros correram para o estacionamento da empresa para brincar de guerra de neve e fazer boneco de neve. Foi muito divertido, inclusive para os americanos que assistiram a tudo pela janela.
A black friday aconteceu quando estávamos lá. Às 10 da noite do dia anterior já havia gente fazendo fila em barracas. Muita gente acordou muito cedo para aproveitar as promoções, mas eu preferi dormir direito. Na hora do almoço passei numa loja para comprar um roteador sem fio. As funcionárias vibravam vibravam com as promoções. A senhorinha Rachaella, que tinha que colar o rosto no monitor para conseguir ler, ficava dando várias dicas para a gente.
O Sidney teve a felicidade de alugar um Mustang na troca de carro. O carro que todo mundo queria dirigir. Houve um dia em que eu teria que chegar mais cedo à empresa para adiantar e deixar pronta uma baseline do DOORS antes que o pessoal chegasse no trabalho. Tive então a desculpa para sair mais cedo no dia anterior para poder descansar, e fui com o carro do Sidney. Mas na verdade fui dar umas voltas de Mustang pela interestadual 96.
Também tivemos a oportunidade de passar momentos inter-culturais incríveis com os indianos. Havia uma dezena deles em uma outra sala, cuidando dos testes de alto nível, mas tivemos mais contato com o Vaibhav (apelidado ora-bolas), o vegetariano Amol e a Pritti. Vaibhav inclusive me pegou em uma situação desonrosa em que o Samir tinha mexido no meu fundo de tela e eu não conseguia voltar ao original. Outros indianos que sempre ouvíamos falar, mas que nunca conhecemos: Koteswara, Arvind, Sreetha, Vikash, Ammiraju. Em uma confraternização os indianos comeram pizza com carne e só descobriram depois.
À noite, quando a qualidade liberou o run-for-score, tivemos que rodar novamente todos os testes que havíamos executado no dry-run. Foi aí que foi inventada a máquina do tempo, em que os resultados antigos ganharam datas novas na calada da noite.
Já era dezembro. O contrato do carro venceu antes do final de nossa estadia e tive que trocar o carro. Desta vez peguei um furgão de 10 lugares, que inaugurei levando o pessoal para passear no shopping Riverside. Ficamos poucos dias com o furgão. Infelizmente não tiramos nenhuma foto para recordar dele.
A missão chegava ao fim. Terminamos o trabalho e o Flamino fã do DOORS colocou para tocar This is the end. Nos despedimos de todos e fomos embora. Pela penúltima vez.
Antes disto havíamos discutido extensamente para escolher o que fazer no último fim de semana. Teve o pessoal que decidiu ir ver um jogo de hockey não sei aonde, e eu e a Daniela quisemos ir de carro para NY, por sugestão do Vini. Levaríamos o Gustavinho por uma parte do caminho, onde ele ficaria com a sua família americana (de um intercâmbio que ele fez no passado) e parecia ter planos de ficar com a sua irmã americana. O Samir ficou até a última hora indeciso de onde iria, mas no final resolveu ficar, evitando mais gafes. Fomos fazer compras para a viagem no Meijer, onde a Daniela se mostrava extremamente apreensiva e indecisa se deveria fazer mesmo aquela viagem de 1200 km em um país distante, e debaixo de neve. Eu a tranquilizei dizendo ter certeza de que tudo estava sob controle e que a viagem era absolutamente normal. Ela se deixou enganar.
Era quase meia noite, quando o telefone tocou e era o Vini. Ligando da empresa. Eles tinham descoberto alguns PRs que precisavam de verificação para fechar. Foi então que tive que levantar e ir para lá, onde o Vini estava me esperando para abrir a porta de trás. O trabalho que faltava era maior do que a quantidade de pessoas que estavam presentes. Então o Vini foi chamar o grupo do Samir, Cerávolo e Gustavinho, que voltavam do The BOB. Eu abri a porta para eles entrarem. A esta altura não precisava mais de crachá, não precisava mais de escolta.
Acabei minha parte umas 3 da manhã e fui dormir, porque eu tinha que levantar às 4h para trocar o carro na locadora (pois o furgão não seria uma opção econômica para uma viagem longa) para depois buscar a Daniela no horário combinado: 5h. O Dodge Magnum alugado era um carro de estilo clássico, e derrapou durante alguns segundos no estacionamento do Hilton, recuperando a tração antes que se chocasse com os carros estacionados. Daniela entrou no carro, fomos buscar o Gustavinho na empresa e partimos em viagem.
Iamos revezando a direção, enquanto o outro dormia. O trajeto, que seria demorado, acabou demorando um pouco mais, porque erramos a estrada e só percebemos em uma parada para um lanche. Já era umas 22h quando chegamos a NY, mas de maneira nenhuma conseguíamos chegar no hotel Super 8 que tinhamos visto com um bom preço. Eram muitas highways, a apesar de avistarmos o hotel não conseguíamos atravessar até ele. Andamos de carro por horas, por todos os bairros fora da ilha de Manhattan, tentando achar onde ficar. Decidimos que iamos começar a voltar e encontrar algum lugar minimamente decente na estrada, quando vimos um Ramada com preço bom. No dia seguinte descobrimos que estávamos a poucas quadras da estação Brick Church em East Orange, que levava direto a NYC. A sorte tinha mudado nas nossas férias frustradas.
Em 2 dias visitamos muitas lojas de brinquedo, cafeterias e andamos no Central Park. Fomos de metrô para Wall Street para tirar foto com o touro. Passamos um pouco de frio e no retorno batemos o record de temperatura fria: 16F.
Na volta a Grand Rapids ficamos sabendo que o avião havia recebido o Type Certification. Fim da viagem, missão cumprida.
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